Rede comunitária em Aldeia Velha

dezembro 3, 2018 , belisards

Desde 2017, a Coolab mantém diálogo com residentes e a Associação de Moradores de Aldeia Velha (AMAVE), município de Silva Jardim, interior do Rio de Janeiro. Desde então, foram realizadas reuniões, pequenas atividades de formação, apoio remoto e visitas técnicas, a fim de planejar a criação de uma rede no local. Atualmente, em dezembro de 2018, existem 2 nós operando na rede de Aldeia Velha, usando o provedor local como saída para Internet. O distrito de Aldeia Velha fica a cerca de 40 km do litoral, na região dos lagos.

Localização de Aldeia Velha, no ícone em vermelho
Como muitos municípios brasileiros, a conectividade é um problema em Aldeia Velha. O único provedor de Internet local opera via rádio, cobra caro e é alvo de constantes reclamações por parte dos moradores. Assim, o plano inicial envolvia a criação de um provedor comunitário, gestionado pelos próprios moradores, utilizando um link para a internet a partir da região dos lagos, onde a oferta de links para Internet é maior e mais barata. Neste sentido, foram realizados dois encontros com a equipe da Coolab neste sentido. O primeiro foi uma apresentação breve, por meio de uma roda de conversa com moradores, que ocorreu em meados de 2017.
Convite para a primeira reunião com moradores, em 2017
Nesta primeira conversa, apresentamos a proposta da Coolab, baseada na ideia de redes comunitárias, e junto aos moradores presentes criamos um grupo para dar seguimento às primeiras ações necessárias. O segundo encontro ocorreu apenas em março de 2018, porém, neste período alguns avanços foram feitos, como um mapeamento de possíveis locais na região dos lagos do Rio de Janeiro, onde seria possível instalar um link de longa distância. Não foram identificados muitos, não só pela distância, mas por Aldeia Velha localizar-se em meio a montanhas. Além disso, a maior parte dos locais encontra-se em meio a mata fechado, dificultando e, em muitos casos, inviabilizando o acesso para instalação dos equipamentos necessários.
No segundo encontro, entre 6 a 14 de março, foram apresentados mais detalhes sobre a proposta da Coolab e intensificadas as buscas para um local possível para instalação do link com a região dos lagos. Houve muitos questionamentos quanto à legalidade e sustentabilidade das redes, tendo como maior empecilho a falta de jovens ou pessoas interessadas em efetivamente ser responsável pela operação da infra-estrutura, assim como ressalvas quanto à ideia de “empréstimo” de equipamentos. Mesmo com os altos custos e a baixa qualidade, o fato de já existir um provedor local em funcionamento tornou-se uma dificuldade a mais na proposta inicial de montar um provedor comunitário, pois envolvia o rompimento de uma certa zona de conforto. Ainda assim, houve interesse de um pequeno grupo de moradores e foi inclusive realizada uma breve oficina com alguns jovens interessados, no entanto, o engajamento dos mesmos se mostrou momentâneo.
Oficina com jovens, em março de 2018
Também foi identificado um sítio de um morador local, com um trecho onde seria possível instalar um link com a região dos lagos, porém, o proprietário cobriu um valor alto demais, inviabilizando assim o plano inicial. Mesmo assim, ao longo de março, foram instalados 6 nós de uma rede em malha em Aldeia Velha. Ao invés de apresentar-se como substituto ao provedor local, esta primeira rede a utilizou como gateway, ou seja, saída para a Internet, compartilhando o acesso e custos entre cerca de 5 pessoas, em uma espécie de protótipo da rede comunitária pretendida. Na ocasião, também implementamos em uma Raspberry Pi um servidor local de mídias, a Aldeiateca.
Topologia da rede em Aldeia Velha, em março de 2018
Apesar dos problemas enfrentados em termos de mobilização, um grupo de moradoras seguiu mantendo a iniciativa localmente. Desde então, a Coolab vem prestando apoio remoto à rede local, que no momento serve para compartilhamento dos altos custos de conexão do provedor entre moradoras locais.